quinta-feira, 26 de maio de 2011

Capítulo 14 - Desejo


Rose


Dei uma folga ao Jeff – da patrulha noturna, quero dizer. Eu não sei o porquê, mas sinto falta dele – tanta que chega até a ser uma dor física. Desde que trocamos sangue e ligamos nossas almas, eu sinto mais falta dele do que o normal e sei que ele sente o mesmo. Por isso, resolvi mudar o turno de Jeff para o dia e John, para noite. Modéstia a parte, não foi tão difícil; nem precisei usar meu poder de controlar pessoas. E também, John não tinha uma namorada que sentia falta dele!
Mel estava dominando minha cabeça por sua raiva – sim, eu ainda tinha a ligação com ela, embora pensasse que por estar ligada com Jeff eu perderia a ligação com Mel – e seus pensamentos estavam muito explosivos. Saí da mente dela e me concentrei no presente, em Jeff.
- Oi.
– ele sorriu, me abraçando por trás (eu sabia que estava sorrindo; conheço bem meu namorado) e mordendo minha orelha. Depois plantou um beijo em meu pescoço, seguido de uma mordidinha – O que você negociou?
- Como assim?
- John nunca cedeu uma noite. Aposto que você negociou algo.
- Ou ele ficou encantado com minha beleza. – sorri, provocando.
- Ele que tente algo com você e eu arrancarei o coração dele. – Jeff fez uma careta.
- Não sei por que a violência se sabe que meu coração é seu. – sorri, beijando-o levemente no rosto e depois na boca.
- Há alguns anos, você não diria isso.
Dei um soco em seu ombro, mordendo o lábio. O pior é que ele estava certo.
Mas isso não me abalaria: Jeff é todo meu hoje e ninguém vai nos separar.
- Eu senti sua falta. – ele murmurou, sorrindo ao ler meus pensamentos. – Vamos?
- Eu preciso responder? – sorri, segurando sua mão e entrelaçando nossos dedos.
- Não. Já vi a resposta mesmo.
- Em minha mente?
- Não, em seus olhos.


Rodolfo

Clarissa estava me enlouquecendo. Suas rejeições à meus toques me deixavam nervoso. Nem mesmo Marilyn sabia fazer isso comigo, mas Clarissa... Meu Deus, ela realmente está mexendo comigo!
Observo sua reação, escondido na árvore de frente para sua janela. Sei que ela não pode me ver, então me sinto confortável.
Ela pegou o vestido verde-esmeralda com delicadeza, como se sentisse lentamente a textura. Ela levou-o ao rosto, sentindo a maciez e o cheiro, depois virou-se para ver como ficava nela no espelho. Sorriu.
- Eu sei que está olhando, Rodolfo.
Recolhi meu sorriso – que se formara repentinamente – aos poucos. Droga! Pensei.
- Como?
- Eu te vi pelo espelho. O que você quer? Me deu um vestido, me chamou de linda... O que você quer?
- Tem certeza que não sabe? – falei, pulando na janela e entrando no quarto, rapidamente estando com a mão no rosto dela – Você, Clarissa, eu só quero você.
- Você tem a Marilyn. – ela falou, abaixando a cabeça, tentando não olhar para mim. ergui seu rosto com meu dedo.
- Mas você é...
- Você só me quer porque eu não sou sua. – ela afastou minha mão de seu rosto – Me deixe em paz, por favor.
- Ele não desiste, Clarissa. Você não aprendeu isso ainda? – Marilyn disse, sorrindo ao entrar. Bufei.
- Marilyn, eu não me lembro de ter te chamado.
- Mas eu não preciso que me chame, querido. Sou sua ESPOSA. – ela olhou para Clary, sorrindo ao destacar bem a palavra.
- Não sei por que diz isso, Marilyn. – Clary sorriu também, sarcástica. – Tem medo de seu querido marido, que aliás está dando em cima de mim, esqueça que vocês são casados?
- Rodolfo só dá em cima de você porque é um canalha e adora ver uma mulher bonita.
- Ah, então você me acha bonita?
- E porque ele tem pena de você! – continuou Marilyn, como se não ouvisse Clary. Ela bateu o pé no chão, furiosa.
- Não é o que parece!
Eu estava mesmo vendo Clarissa e Marilyn disputando meu amor? Isso estava ficando bom, exatamente como eu queria.
- Rodolfo não tem pena de mim, ele acabou de confessar que me ama, sua... PUTA!
Marilyn a encarou, furiosa. Segurou-a pelos cabelos e tentou bater a cabeça de Clary contra a porta, mas Clary fechou os olhos e um poder bruxo fez Marilyn e ela flutuarem. Clary bateu na cabeça de Marilyn com a sua, fazendo-a desmaiar.
O corpo de Marilyn desabou no chão e eu corri para pegá-la nos braços. Clary não deve ter gostado disso porque pousou na cama, emburrada, e disse:
- Agora caia fora daqui!
- Por que? – perguntei, confuso.
- Já conseguiu o que queria, não é? Eu bati nela por sua culpa. Me deixe em paz!
Soltei o corpo de Marilyn e me aproximei de Clarissa, mas ela se esquivou. Consegui segurá-la pelo braço.
- Eu dei o vestido à você porque eu escolhi você.
- Ah, é? Então por que se casou com ela? – seu rosto estava a centímetros do meu, sua respiração em minha bochecha.
- Eu... Eu não sei... Só o que eu sei é que...
- Você é um canalha mesmo! – ela me cortou, tentando se soltar.
- Eu quero você, Clarissa. Eu te amo.
Ela me deu um tapa e saiu do quarto.

Jeff


A luz do sol entrou pelo quarto, batendo em meu rosto. Abri meus olhos e vi Rose dormindo ao meu lado. Passei a mão por seu rosto, relembrando de nossa noite juntos. O rosto dela estava sereno, sem preocupação alguma, e eu adorei isso.
Mas de repente Rose se levanta num salto, a respiração ofegante. Seus olhos estão fora de foco. Ela está tendo uma visão – e esse é o único momento em que não posso entrar na mente dela.
- Rose? Rose, fale comigo! – pedi, sacudindo seus ombros.
- Mélody! – ela gritou. Mel apareceu correndo, preocupada, Jake logo atrás.
- O que foi? O que você vê? – perguntou Mel, a preocupação visível em seu rosto.
- Um calendário. O calendário da mamãe. – a voz não era a de Rose, não podia ser. Estava mais sombria. – Marca o dia da formatura. Daqui a três dias. E eu vejo... um vulto, uma capa escura. Cabelos escuros e um corpo atlético.
- Rodolfo. – murmurou Mélody, trincando os dentes – Continue.
- Clary está com ele. Ela está roendo as unhas. Rodolfo está numa festa, é isso. Vejo pessoas dançando sob um globo de luz. E nossos pais adotivos estão lá. Rodolfo os viu também. Ele vai atacá-los. E então nós duas aparecemos com uma... – ela parou abruptamente, parecendo apavorada.
- Uma o que? – Mel pressionou, olhando-a nos olhos sem foco.
- Uma espada antiga, horrorosa. Está toda obscura e tem dragões incrustados no cabo. Você está sorrindo, sombria, e eu estou... – ela parou outra vez.
- Você está o que?
- Eu estou sugando o sangue de Ingrid, aquela garota que você odiava na escola e que dava em cima do Jake. É nojento, Mel, ela é sombria por dentro.
- O que você faz depois?
Rose fez uma longa pausa, chocada.
- Eu a transformo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Capítulo 13 - Mudanças

Clary
Eu fechei meus olhos quando Rodolfo entrou no quarto.
-Por que está me evitando?- ele disse pegando meu braço.
-Porque eu vejo você com "a outra" e sei que não posso competir. Ela é linda, graciosa, elegante, esbelta... E é perfeita! E eu vejo como vocês se olham- eu ainda sentia algo forte por ele... Mesmo depois de tantas traições.
-Não há competição,- começou ele rindo - pois eu só amo você!
-Eu já ouvi isso antes e você me magoou. Como posso confiar em você agora?- encarei-o.
-Me dê mais uma chance...
Virei-me, ignorando-o. Mais chances? Eu já dera chances de mais a ele!
- Eu te amo- admiti, mesmo sabendo que era inútil. Rodolfo me encarou, parecendo perplexo - E eu já cansei de sofrer por você.
- Clarissa... - ele murmurou, afrouxando o aperto em meu braço.
- Não, Rodolfo. Eu amo você, mas não aguento mais perder você. Por favor, me deixe!
O que eu estava dizendo? É claro que eu o amava, mas por que estava dizendo isso agora?
Ver a expressão de surpresa em seu rosto era pior do que ele dizendo algo, pois assim eu via que ele não me amava; ele apenas me queria - e tem diferença-, então se assustou ao ouvir que eu o amo.
- Olha se não for sair, eu...
Rodolfo segurou-me pelo braço e me beijou, impossibilitando-me de dizer algo.
Libertei-me dele e balancei a cabeça tentando voltar ao meu normal...
-Por que está mandando-a me controlar?- fuzilei seus olhos.
Rodolfo sorriu mais.
-Ela apenas quis testar se tinha melhorado seus poderes.
Uma garota baixa e loira entrou no quarto. Tinha a aparência de uma criança de pouco mais de 7 anos de idade. Seus cachos, seus olhos vermelhos, seus gestos... Vanya me lembrava Mélody.
Rodolfo usou controle mental em Vanya e a tirou dali, congelando o tempo a nossa volta. Ele me puxou para mais perto de novo e me beijou, mais forte e faminto do que antes.
-Eu sempre quis você...
Nesse momento, Marilyn entrou no quarto
-Oi querido, abusando da prisioneira de novo?- ela sorriu maldosa.
Me afastei de Rodolfo, limpando meus lábios com as costas da mão, como se ele fosse imundo. Marilyn manteve o sorriso arrogante nos lábios.
-Marilyn, oi. - Rodolfo manteve os olhos em mim, como se eu o mantivesse presa. Marilyn não gostou de ser ignorada. Ela andou até Rodolfo e o puxou pela mão.
-Precisamos conversar querido!
Ele mantinha os olhos em mim ainda. Parecia que a minha atitude de nojo perante seu beijo o incomodava de alguma maneira, bem forte.
-Rodolfo, vamos querido
- Marilyn, me deixe em paz! - ele rosnou, livrando-se dela, e continuou me fitando.
Virei meu rosto indo para a janela, que mal conseguia iluminar o quarto de pequena que era. Ouve um estouro e me virei.
Marilyn tinha tentado puxá-lo, mas Rodolfo a empurrará contra a porta, ainda me fitando, mas visivelmente se dirigindo a ela.
-Depois nós conversamos- disse ele ríspido.
Ela tremia. Mal pude ver o seu vulto saindo e fechando a porta. Ela soluçava do outro lado da porta.
-Clarissa, não quero mais que sejamos interrompidos.
Ele veio em minha direção e eu me esquivei, indo para a porta. Então eu a abri e olhei fria para ele.
-Saia!
Ele parecia não querer acreditar no que ouvirá! Seus olhos diziam que ele nunca tinha pensado na nossa situação comigo mandando-o embora.
-Rodolfo!
Ele bufou e caminhou até a porta me encarando. Seus olhos tinham um desejo que eu nunca havia visto antes. E ele estava tão sexy quanto em seus dias de bad boy na juventude!

Mélody
Nós estávamos atrasados. Precisávamos alcançar Rodolfo antes que... Não, ele não podia machucar nossos pais. Eu sabia que não era culpa de Clary, mas me deu uma raiva repentina dela. Se ela não tive-se sido pega outra vez, nossos pais não estariam em perigo!
Rosnei.
-Você está muito nervosa Mél!
Jake estava preocupado. Apesar de nossa ligação, eu conseguia jogá-lo para fora quando queria pensar em estratégias e tudo mais.
Era como se um de meus dons fosse a força de jogar para fora qualquer mente que entra-se na minha.
Envolvi Jake em um abraço, me pendurando em suas costas.
Deixei-o entrar em minha mente outra vez, mostrando o quanto o amo com imagens nossas.
Enquanto o deixava vendo tudo, no fundo de minha mente continuei a pensar em maneiras de derrotar Rodolfo. Eu tinha as informações que precisava no que tirará da mente de Fernando.
Os planos de Rodolfo estavam em minha mente, todos com contra-ataque formado.
Nós venceríamos! Eu sentia.
Sorri e girei em Jake, beijando-o calorosamente enquanto via Rose e Jeff finalmente se juntarem para uma noite juntos, o que não tinham a tempos.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Capítulo 12 - A guerra está próxima

Jeff

Acabamos de nos acomodar nessa cabana, no meio da floresta. Eu não sei dizer onde nós estamos – minha noção da localização geográfica se perdeu há muito tempo. Rose está se saindo cada vez melhor no lance de portais – ela é um usuário de espírito, é claro, duh!
Jake arrumou um colchonete para dormirmos por enquanto. Mel está orgulhosa de nossa evolução: temos mais de cem ajudantes na grande batalha. Alguns vão ficar de vigia – eu sou um deles – e outros vão caçar alimentos e buscar roupas para ficarmos na cabana – que é bem grande para cem pessoas.
Minha única decepção é não ficar perto de Rose nesse tempo. E o pior de tudo é que ela quem me obrigou a ir.
- Será melhor para você. – ela dissera, sorrindo, me empurrando – Você precisa treinar.
- Mas eu quero ficar perto de você. – argumentara eu. Mas foi só olhar naqueles olhos que eu descobri perder a batalha.
- Acredite em mim, Jeff, eles precisam de você mais do que eu. Oriente-os e ganharemos a batalha.
E aqui estou eu, junto com uma dúzia de homens, rondando a casa. Jake, sortudo como é, está (com certeza) na cama com Mélody – duh! E Rose está lá, em sua cama – nossa ligação me permite saber dizer onde ela está. (tomar o sangue dela foi tão incrivelmente sexy!) Como eu queria estar perto dela...
Mas sei que preciso ser forte; os momentos com Rose serão valiosos e raros, isso se sobrevivermos!
- Quando é que eu fiquei tão negativo? – murmurei, bufando. Olhando pela janela, vi Rose vestindo sua camisola de algodão (meu coração acelera) e deslizando-a pelo corpo (adrenalina jorrando em meu interior). Ela senta-se na cama e suspira, passando a mão pelos cabelos. Sei que ela me sente ali e lê minha mente, então penso nela e como a amo. Ela sorri.
- Oi Jeff. Sei que está aí.
Sorrio, sem desviar meus olhos de suas curvas bem visíveis na camisola.
- Preste atenção à sua volta. Os pensamentos de seus companheiros são... Uh, você não ia gostar! – ela ri; o som é tão maravilhoso que me deixa elétrico.
- Certo. Eu vou patrulhar. Até mais, gatinha.
Jogo um beijo para ela e saio.

Rodolfo
- Quer ajuda com o vestido?
Clary corou – senti entusiasmo ao ver que ainda provoco isso nela – e assentiu. Deslizei meus dedos por suas costas enquanto fechava o zíper do vestido novo que eu lhe presenteara. Ela estremeceu quando rocei meus lábios em sua pele.
- Rodolfo...
- Clarissa, você não vai usar os brincos de brilhante que eu te dei? – murmurei, sorrindo. Uma chama acendeu em mim, eu não sentia isso desde meus dezoito anos.
- Eu... vou, claro.
Seus cabelos estavam elegantemente presos em um coque e seus olhos faiscavam de desejo. Era empolgante causar isso em Clary.
- Por
que você faz isso?
- O que? – perguntei, em meu sorriso mais sedutor.
- Isso: me dá presentes, me seqüestra, tenta fazer com que tudo seja igual à antes... Mas não é, Rodolfo. Não somos mais adolescentes e eu... – ela engoliu em seco – Não estou mais apaixonada por você.
- Se repetir isso mais uma vez, você vai acreditar. – sorri, acariciando sua bochecha com meu polegar – Clarissa, eu sei que não somos mais adolescentes, mas... Você continua tão... – APETITOSA, pensei, mentalmente lambendo os lábios, mas o que eu disse foi – Incrivelmente atraente e sedutora.
- Por favor, pare. – ela pediu, olhando-me nos olhos. – Eu não quero você assim...
- Você sabe que o lance com Marilyn foi apenas um passatempo, não é? – murmurei, roçando meu rosto no dela – E você sempre foi tudo que eu quis?
- Diz isso porque ela está morta e seus filhos te traíram e morreram! Felix me amou mais do que você!
- Felix era um ingrato que só queria saber daquela Blood Sister idiota! – rosnei, me afastando bruscamente dela – Eu sempre fui leal à você!
Ela cobriu o rosto com as mãos e soluçou. Abracei-a pelos ombros, trazendo seu rosto para meu peito, e beijei seus cabelos. Clarissa sempre fora atraente e soubera usar isso contra mim, mas agora estava indefesa.
- Clarissa. – murmurei. Só isso, apenas seu nome, a fez parar e olhar para mim.
- Rodolfo, por que você tem que fazer isso? Por que tem de me usar tanto?
De repente, parece que somos dois adolescentes novamente e eu estou num bar, fumando cigarro, enquanto ela trabalha de garçonete, para conseguirmos dinheiro e fugir dali. Íamos nos casar (esse era o plano inicial, que falhou), mas aí conheci Marilyn e tudo foi pelos ares.
- Se me der uma chance, eu prometo nunca mais usá-la novamente.
Ela pareceu acreditar em mim por um momento. Vi em seus olhos que ela realmente queria que eu e ela tivéssemos um futuro juntos. Mas aí algo em seus olhos (seria amor maternal?) brilhou como um fogo queimando e ela me afastou bruscamente:
- Eu serei sua serva de boa vontade, mas não confio em você.

Jeff


No
dia seguinte, Rose e Mel nos trouxeram “lanches” – humanos tolos que se candidataram à fornecedores. Eles sentaram-se numa cadeira e nós – vampiros – fizemos fila para nos alimentarmos.
- Ei! – passei meus braços pela cintura de Rose quando ela passou por mim – Quem são eles? – perguntei, apontando para os fornecedores com o queixo.
-Humanos tolos que acham que são espectadores de luta livre! – disse Mélody pouco empolgada.
Pelo seu rosto eu podia saber que ela havia se alimentado bem, e pelo visto Rose também. Ainda era estranho vê-la de olhos vermelhos, que ainda não chegavam perto do ódio que passavam os de Mélody.
- Hã, amor, seus olhos...
- Relaxa. – ela sorriu – Eu preciso ficar forte, lembra? Me sinto ótima! E já que não poderei usar meu dom de convencer pessoas, preciso lutar!
Eu ainda sentia repulsa em pensar nela lutando; eu precisava protegê-la.
- Se algo acontecer com você, eu...
- Relaxa, Jeff. – repetiu ela, sorrindo – Eu ficarei bem.
- Certo. – falei, mesmo com meu coração dizendo NÃO! – Eu vou... Me alimentar!
- Isso. Vai lá. Eu e Mel vamos patrulhar.
- O que?
Ela e Mélody riram.
- Relaxa um pouco, Jeff! É brincadeira!
Suspirei, aliviado. Ela ainda me deixa louco!
Segui em direção à fila dos alimentadores. Jake estava na minha frente, junto com mais uns três caras que patrulharam comigo. Quando chegou minha vez de me alimentar, escolhi a mulher mais velha – aparentemente, era a mais velha – que parecia não ter mais do que alguns anos de vida. Ela sorriu quando me aproximei e tentei sorrir de volta. Fiquei surpreso com sua reação ao ver minhas presas – ela devia se assustar (porque mesmo depois de servir de fonte de alimento, os humanos se assustam com as presas), mas ela corou e inclinou a cabeça, deixando o pescoço visível.
- Isso só vai doer um pouquinho. – prometi, lambendo os lábios antes de roçá-los na carne do pescoço da mulher. Ela agarrou-me pela camisa e gemeu enquanto eu sugava-lhe a vida. Quando seus olhos pararam de brilhar e seu sangue acabou, larguei seu corpo flácido e me retirei, limpando a boca com as costas da mão.
Depois de sugar a vida humana, uma sensação de vazio me abateu, e era paradoxalmente irônico, pois eu estava mais que satisfeito.
- Jeff? Você está bem? – perguntou Jake, alcançando-me enquanto eu corria até o quarto de Rose e Mélody.
- Ótimo. Apenas preciso ver Rose.
Logo atravessei a distância entre mim e a porta de seu quarto. Não bati; abri-a e entrei. Rose estava sentada na cama, ao lado de Mélody, e elas pareciam pensar com uma cabeça só – o que se dissipou quando Rose me viu. Sim, nós realmente ficamos ligados depois que trocamos sangue, mas eu não estou ligado com Mélody (achei que estaria, pois se Mel tem um laço com Rose, e eu tenho um laço com Rose também, pensei que Mel e eu estaríamos ligados).
Eu realmente acabo de chamá-la de Mel?
- O que aconteceu? – perguntou Rose, levantando-se da cama e vindo me abraçar.
- Eu percebi que não quero que acabe.
- O que?
- Tudo isso. – murmurei, enterrando o rosto em seu cabelo – Não quero que nossa vida acabe tão cedo. Eu não sei explicar, mas... Depois de sugar a vida e sentir como é a guerra, eu sinto como se estivéssemos por um fio...
- Não diga isso. – ela pediu, me afastando para olhar em meus olhos – Nós vamos ganhar, Jeff. Você vai ver.
- Eu espero, Rose. Eu espero.

sábado, 14 de maio de 2011

Capitulo 11 – Novos poderes

Mélody
Estávamos nos arrumando para partir quando me veio do nada na mente, uma coisa que não havia pensado até agora, quando estava com meus sentimentos descontrolados.
-Rose, quero que você me prometa, não vai usar seu poder de controle nessa batalha!
Ela me olhou confusa.
-Por que isso agora Mél?
Balancei a cabeça. Jeff e eu tínhamos mais experiência com lutas, ele sabia do que eu falava!
-Mél tem razão!
Eu podia sentir a relutância na voz dele em concordar comigo. Nós nos dávamos bem, melhor do que com Félix, concerteza, mas ainda havia algo que não deixávamos inteiramente próximos. E eu também sabia que Jeff tinha medo de mim, algo que nunca entendi muito bem!
-Mas porque eu não poderei usar?- insistiu Rose.
-Porque estará descontrolada em suas emoções, então pode acabar machucando nossos companheiros...
Parei abruptamente me virando para a janela. Eu apenas pulei e comecei a correr.
-Rose!-xinguei-a.
Mas eu sentia que não era ela. Era meu próprio corpo se movendo sozinho.
Era um novo poder, eu sentia. Mas como controlar um poder que me controlava?
A minha frente, em um penhasco, vi uma garota sendo agarrada por um homem. Eu ia ajudá-la, mas que motivo eu tinha para isso?
O broxe! Eu o reconhecia. Ela era uma das nossas. Umas das que estava no bar.
Lembro perfeitamente de seus olhos vermelhos assustados, de seus cabelos loiros em cachos, de quão pequena e frágil ela sempre me parecerá. Kirie! Era esse seu nome. O único nome de que ela se lembrava de sua vida mortal. 15 anos quando fora transformada.
Um homem grande e musculoso a segurava.
Gritei saltando, arrancando a cabeça dele com as garras. Grudei-me em seu corpo, sugando o pouco de sangue que nele havia.
Outro poder surgiu.
Eu pude ver a vida toda dele. Até mesmo a vida de humano que ele tivera. Uma vida normal, até mesmo trabalhando para Rodolfo em uma pequena fazenda. Um camponês com uma vida normal de idade média, com sua esposa e filhos – que ele assassinou nas primeiras semanas de transformado.
Mas o que realmente me prendeu foi o quão importante ele era na guarda de Rodolfo. Seu braço direito, eu até diria.
O poder que eu tinha agora, de ver a vida toda de quem eu tocasse, eu havia sugado dele. Claro que eu tinha o poder dentro de mim muito antes, mas o seu sangue havia o “despertado” dentro de mim.
Ok, mas agora voltando a ligação dele e de Rodolfo, ele sabia onde Rodolfo estava, e não era o castelo! Nem mesmo no país ele estava.
-Viajamos até aqui por nada?- disse a mim mesma.
Kirie olhou-me confusa, mas sorriu, agradecendo por ter a salvado.
-Não se preocupe!- eu disse afagando seus cabelos.
O que eu estava fazendo? Ela parece frágil, mas é mais velha do que eu!
-Mas por que você não se defendeu?
Ela se encolheu.
-Meu poder é de distância. Eu só consigo acertar pessoas a no mínimo 10 metros de mim!
-Hummmm....
Peguei-a pelo braço e puxei-a, fazendo-a correr junto comigo de volta a casa.
-Rose,- comecei pulando a janela- precisamos de um portal para todos ! AGORA! De volta para a nossa casa!
Rose me encarou irritada.

Clary
Eu havia vestido o que Rodolfo colocara em minha cama pela manhã.
Era um vestido bege, de decote u bem grande. Havia renda sobre a parte do busto e abaixo da cintura, onde também era de um tom de bege mais escuro.
Virei-me quando a porta s abriu. Rodolfo chutou um homem para dentro, que caiu de joelhos, implorando por piedade.
Eu na me alimentava direito há três dias. O pequeno rasgo no braço do homem me fazia estremecer. Atirei-me de joelhos ao seu lado, sugando-lhe, com minhas presas em seu pescoço, tão rápido que mal prestei atenção em Rodolfo se movendo pelo quarto.
Larguei o homem, flácido, para o lado.
-Querida Clarissa, conte-me sobre elas mais um pouco.
A voz de Rodolfo era suave, romântica. Mas ele já arrancará tudo o que eu sabia, o que mais ele podia querer?
-Vamos, ao menos os dons que eles tem!
-Eu não sei nada sobre os dons, passei pouco tempo com elas.
-Alguma coisa você deve saber.
-Está bem!- pausei – Rosemary pode falar com os mortos.
Ele batia as unhas sobre a cama, onde estava sentado, pensativo.

Rodolfo
Eu precisava de mais informações, por isso mandará Fernando, meu braço direito, para conseguir informações, mas...
Ele estava demorando mais que o normal para voltar.
-Você lembra-se de Fernando, Clarissa?
Ela me encarou.
-Claro que me lemb...
-Eu o mandei atrás delas!- interrompia.
Ela permaneceu boquiaberta por um tempo, enquanto eu sorria. Quando ela fechou a boca seus olhos estavam sem foco. Clarissa sabia exatamente o poder que cada um de meu exercito tinha.
Então ela sorriu e disse:
-Elas acabaram com ele!