Drake
Mél estava sentada no chão da torre, ao lado de meu tio Rafael.
Eu ainda podia mexer, com menos intensidade e força, em magia negra. Havia deixado junto a meu tio uma pedra, presa a parede atrás da porta. Eu só precisava ativá-la e ele me veria e ouviria... Mélody também.
Ativei-a, tocando nela com meu medalhão.
-Rafael.
Ele se levantou sorrindo para mim.
-Como estão o pessoal do outro lado?
-Bem! Vovô lhe mandou um abraço.
Mél se levantou também e me encarou.
-Você esteve no acampamento com Felix. Não é?
Permaneci sério, frio.
-Sim, ele contou tudo a Jeff.
-Ótimo!
Ela respirou fundo.
-Mais alguma coisa, Madame?- disse desdenhoso.
-Não, obrigada, bruxinho!- respondeu sarcástica.
Então ela sorriu, abrindo uma janela na parede ao leste apenas com um aceno de cabeça. Mél se debruçou, olhando o sol nascer.
Virei-me para Rafael.
-Não contou sobre AQUILO, não é?
-Fique tranqüilo meu rapaz, não contarei!
Suspirei.
-Ok, melhor eu ir, não acha?
Nesse momento ouvi papai subindo as escadas. Desapareci e Mél fechou a janela.
A porta foi destrancada.
-Como estão os meus hóspedes?
O sorriso maligno no seu rosto lembrava minha infância. Suspirei. Ele não era mais o mesmo desde que Felix nasceu.
Havia sido poucos anos após ele conhecer Clarissa. Abandonou... Matou minha mãe por ela, e depois, sem motivo algum, ela foi embora! Então ele tomou a mãe de Felix como mulher.
Consegui ser feliz nas primeiras horas após o nascimento de meu irmão, mas logo depois... Eu só tinha 8 anos e ele me fez odiar meu irmão, me trancando no meu quarto constantemente. Foi então que comecei a me apaixonar pela arte da magia negra.
Mél suspirou onde eu estava.
“Vá” ela moveu os lábios me avisando.Meu pai já desconfiava que eu estava ali, mas era por culpa da garota loira no corredor.
A garota me lembrava Mél. O olhar era tão maligno e carregado de ódio quanto!
Mas ela não disse ao meu pai que eu estava ali... Por quê?
Ela encarou Mélody e lhe mostrou um sorriso afiado.
-Nada disso Vanya!- advertiu meu pai.
Vanya revirou os olhos e deu as costas para o quarto.
Clary
Mélody disse que voltaria, mas... Já haviam se passado dois dias. E se Rodolfo a tivesse... Não! Ela era preciosa demais.
Como se pude-se ouvir meus pensamentos - era obvio que não! Rose era quem podia fazer isso!-, ela entrou sorrateiramente em meu quarto.
-Mélody!- sussurrei enquanto me jogava sobre ela.
Ela me abraçou de volta e pude sentir seu sorriso.
-Não posso ficar muito tempo! Se ele perceber que sai da torre tudo estará perdido!
-O que você pensa que está fazendo?
-Rose não sabe o que estou fazendo, e, por favor acredite em mim, é preciso! Quero salvar a todos nós!
Encarrei-a. Estava agitada, do mesmo modo que costumava ficar quando era pequena e tinha algum plano para salvar algo que gostava.
-Eu confio em você!- Eu disse sorrindo.
Ela estendeu a mão. Só então percebi que ela carregava um envelope. Este estava lacrado com cera e havia sido escrito com pena e tinteiro - O que provavelmente ela deve ter conseguido em um dos quartos da casa, mais precisamente no quarto de Drake, pelo que o selo me indicou.
-Leia depois que eu sair! Queime a carta! Não deixe vestigios!
-Mas porq...
-Cerifique-se de que não sobre nada dela! Se precisar, rasgue-a antes de jogar no fogo! Drake e Felix vão vir falar com você! Não confie em ninguém além de nós três...
Ouviu-se um barrulho no corredor logo abaixo.
-Preciso ir!
Mélody abriu a porta e correu silemcionamente de volta a torre deixando-me, outra vez, sozinha em meu quarto.
-Mas que merda é essa?-disse a mim mesma.
Olhei a carta em minha mão. Se estivessem vindo ao meu quarto eu estaria ferrada.
Batidas em minha porta.
-O jantar!-gritou uma voz feminina.
-Já vai!
Escondendo a quarta em minha gaveta, sem barrulho, virei a chave destrancando a porta.
-Obrigada!
A garota me olhou com desgosto e colocou a bandeja sobre a mesinha.
-Por que demorou milady?
-Estava-me preparando para tomar um banho rápido- respondi sorrindo.
Me olhando de cima abaixo deu de ombros e saiu do quarto como se disse-se: Você precisa mesmo!
Tranquei a porta outra vez e esperei até que seus passos sumissem.
-Ok! Vamos resolver isso!
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