Capitulo 18 - O Início da Guerra
Rose
Jeff e eu invadimos nossa festa de formatura – sinceramente, a escola não sabe mais como se proteger de qualquer ataque, pois foi muito fácil entrar lá. Preciso impedir que Rodolfo chegue até Ingrid, senão terei que transformá-la.
E isso me assusta demais.
- Lá está ela. – murmurou Jeff, se inclinando para mim. – Vamos dançar e podemos tira-la daqui facilmente.
Tudo parecia fácil demais. Tão difícil de acreditar que conseguiríamos...
- Não pense nisso. Vamos conseguir.
- Você precisa parar de ler minha mente, querido.
- Mélody estava na visão oficial. Agora não está mais. Então talvez não aconteça, certo?
Ele podia ter razão. Talvez ninguém morresse hoje a noite.
- Nenhum sinal de Ingrid. Ela não está na pista, talvez não tenha vindo.
- Ela não perderia sua formatura. – parei um garoto magricela quando ele passou por mim – Você viu a Ingrid?
- Quem?
- Ingrid! – falei mais alto, meu tom de voz mais alto que a música. – Você a conhece.
- Ah, sim! Eu ia dançar com ela, mas ela foi lá fora com outro cara. Um de preto.
Oh, droga.
- As garotas humanas são tão idiotas! – bufou Jeff, correndo para fora do ginásio. – INGRID! – chamou – CADÊ VOCÊ?
- Jeff, ela não vai responder você.
- Não custa tentar. Como as pessoas conseguem ir diretamente para a morte tão fácil?
- Clary está aqui. Posso sentir. – falei, procurando por ela. – E ela não está muito feliz. Talvez possa nos ajudar!
- Eu duvido. – ele olhava fixamente para o banheiro. – Ouço gemidos. Eca, que nojo! Vamos lá antes que eles façam coisa pior.
- Rodolfo me enoja. Seduzir a garota para transformá-la e adquirir mais um membro para o exército é sujo.
- O banheiro não é tão diferente deles. – ele franziu o nariz.
Ingrid estava derretida pelo charme de Rodolfo (eu já esperava isso, de certa forma. Quero dizer, o cara realmente é bonito!) e quando ele pediu para ela fechar os olhos (“vou lhe mostrar uma surpresa...”) ela nem questionou e se inclinou para trás...
- Parado aí, seu velho! – rosnei, jogando Ingrid para o lado. Jeff a pegou e correu para longe dali. Virei-me para Rodolfo e investi contra ele. Ele nem cambaleou. – Onde está minha irmã?
- Está bem acomodada, aliás. Nem sente sua falta. Porém eu sinto. Saudades de roubar seu corpo. – ele sorri, lembrando-me de quando ele fez meu corpo desaparecer e me impediu de reviver. – Como está, afinal? Parece bem sadia.
- Sem papo furado. Você perdeu. Não vai levar aquela garota humana.
- Humana? – ele gargalhou. – Acha mesmo que é humana?
- ROSE! – ouvi o grito de Jeff e me virei para procura-lo, o que deu a Rodolfo chance de escapar, mas eu o bloqueei. – ROSE, RÁPIDO!
- Acha mesmo que pode me deter, Blood Sister? Eu matei você e posso mata-la novamente, assim. – ele estala os dedos. – Tão fácil quanto quebrar palito de dente. Estou só brincando com você. Se eu quiser, posso escapar agora mesmo.
- Ah, não senhor!
Mentalmente, joguei-o para trás. Ele ficou tão surpreso com o golpe que perdeu alguns segundos questionando como foi parar lá. “Eu tenho minhas cartas na manga, velhote.” Deixei que ele lesse minha mente, mas não tudo. Ele não podia saber os dons que aprendi a controlar nos últimos dias. Ninguém poderia. “E isso é só uma amostra do que posso fazer.” Fiz ele flutuar e arremessei-o na parede, batendo sua cabeça com força, mas deixei-o consciente para que escapasse. “Vou deixá-lo ir dessa vez, mas da próxima eu vou matar você. Quero que dê um recado a Melody.”
- Que recado? – ele praguejou, passando a mão pela cabeça.
Minha resposta foi fazê-lo flutuar em direção a um portal que criei rapidamente, levando-o de volta para seu castelo.
E algo dentro de mim sabia que Clary também fora com ele. Eles estavam ligados.
Canalha desprezível.
- ROSE! – Jeff gritou novamente, me lembrando que precisava encontra-lo. – ROSE, ME AJUDE!
- O que aconteceu?
- Eu não sei! Eu simplesmente a coloquei dentro do carro e ela começou a vomitar. Era uma coisa negra, nojenta e fedida aí a tirei de lá para ver se estava tudo bem. Então ela invocou essa espada e...
- JEFF! – interrompi, ao ver Ingrid morta, a espada negra com dragões incrustados cravada em seu peito. – Como ela conseguiu---?
Mas a resposta veio tão rápida quanto a pergunta.
Ingrid era uma bruxa.
Por isso Rodolfo a queria.
Ele queria outra vampira bruxa para dar mais vantagem.
- Precisamos fazer algo. Precisamos impedir que Rodolfo a transforme, ou ela será totalmente fiel a ele. – com nojo, mordi o pescoço de Ingrid e suguei todo seu sangue, depois dei-lhe um pouco do meu e quebrei seu pescoço. Virei-me para o lado e vomitei tudo que sugara. A gosma evaporou, deixando apenas um fedor incomum.
Magia negra. Ingrid usava magia negra.
Enquanto Clary era magia pura.
Duas bruxas opostas... Isso certamente daria muito poder.
- Jeff, me escute. Quero que tire ela daqui o mais rápido possível. Leve-a para nosso esconderijo. Eu vou chegar em breve. Preciso checar uma coisa. Agora vá!
Ele obedeceu, sem questionar.
Rodolfo
- Aquela sua irmã idiota estragou tudo! – rosnei, fazendo Melody abaixar a cabeça. – E onde está Clarissa? Precisamos dela para localizar a outra bruxa!
- Ela... Ela já vai chegar! Está se arrumando! – Melody gaguejou, aparentemente assustada.
- Desculpe se a assustei. Eu só...
EU ACABARA DE PEDIR DESCULPAS ÀQUELA BLOOD SISTER IDIOTA!
O QUE ESTAVA HAVENDO COMIGO?
- Parece que está ficando mais humilde. – Marilyn disse, envolvendo-me com os braços. – Gosto de você assim.
- Eu matei você. Posso fazer isso novamente. – sibilei, segurando-a pelo pescoço. – Não se esqueça disso. O poder de Clarissa pode tê-la feito viver, mas eu posso matar você de uma vez por todas. Não me irrite, caso contrário eu--- AHHHHHHHH! – um barulho explodiu em minha mente, como se alguém estivesse segurando meu cérebro e sacudindo. Mas ninguém tem acesso a minha---
ROSEMARY.
Eu sabia que devia tê-la eliminado quando tivera chance.
- Sua irmã tem um recado pra você. Mas primeiro TIRE-A DE MINHA CABEÇA!
Quando falei as palavras tudo voltou a normal. Caí no chão, tamanho foi o impacto. Quase não ouvi o grito de Melody.
- Rodolfo! Ela está morta!
- Quem? Rose?
- Não! Marilyn!
- Mas como?
- E-eu não sei!
Rose
Quando saí da cabeça de Rodolfo, já tinha todas informações necessárias.
a.) Marilyn só estava viva porque Clary conseguira muito poder para revivê-la. Então se eu conseguisse a mesma dose de poder, mas com outro tipo de magia, poderia reverter isso.
b.) só bruxas podem ressuscitar vampiros.
c.) Ingrid não sabia o poder que tinha, então eu poderia controla-la facilmente.
E foi isso que fiz:
Logo após transformá-la, entrei na mente de Rodolfo e os localizei. Sei que Melody esconde algo de nós, mas também esconde algo dele. Mas peguei todo o resto de informações e deixei-lhe um recadinho antes de sair – que só Mel entenderia.
Eu podia invadir mentes a distância e controla-las.
Podia atingir o corpo através da mente.
Estávamos mais fortes.
Ganharíamos a guerra.
Melody entenderia isso e saberia que deveria fingir o contrário. Rodolfo queria nos derrotar e usar nossos poderes, mas se ele visse que não havia necessidade de guerra, que todos estávamos do mesmo lado e só queríamos viver em paz, talvez ele fosse útil e não precisasse morrer.
Então deixei-o vivo, para que Mel agisse. Ela precisava fazê-lo reviver seu passado, para que se arrependesse e se tornasse bom, humilde e gentil.
Após sair da mente dele, usei meu poder em Ingrid para fazê-la reverter o feitiço de Clary. Só tive que fazê-la visualizar Marilyn e ela conseguiu canalizar energia necessária para tirar-lhe a vida.
Magia negra desfaz a magia pura.
Marilyn era perversa e má, não merecia o esforço que Clary fizera por ela. E para recompensar eu traria de volta a vida duas almas boas, que não mereciam morrer.
Drake e Felix.
Embora não gostasse tanto dele, Drake tinha se comportado bem e merecia uma nova chance.
Invoquei-os com o resto de poder que me restava. Ficaram surpresos ao me ver, mas não disse nada ainda. Se eles soubessem enquanto ainda estavam mortos, haveria grandes chances de Rodolfo descobrir também.
Usei meu poder em Ingrid novamente. Ela canalizou mais energia e conseguiu encontrar os corpos de Felix e Drake. Depois transformou a ligação deles com o castelo de Rodolfo em algo mais substancial, permitindo que visitassem o lugar quando quisessem e enviassem mensagens telepáticas para Clary e Mel. Depois ela canalizou minha energia e parte de meu sangue para trazê-los de volta a vida.
Quando Drake finalmente percebeu o que acontecera ele gritou. Depois investiu contra a parede, gargalhando de alegria quando ela quebrou.
- ESTOU VIVO! EU ESTOU VIVO!
- Não fique tão animado. – interrompi. – Posso desfazer o feitiço se você não se comportar.
- Ei, eu sempre me comporto, tá legal? E agora meio que devo fidelidade a você, pois ligou seu sangue ao meu.
- Rose, tem ideia do que fez? – Felix finalmente falou, sua voz neutra. – Você está ligada à mais de uma pessoa agora, isso é perigoso. Te deixa vulnerável.
- Eu não sou mais uma garotinha indefesa, Felix. Sei o que estou fazendo.
- Ela tem razão. Devia ver ela na cama. – Jeff falou, aparecendo de repente. – Na verdade, não devia não. Muito bem, rapazes. Agora que estão vivos, precisamos planejar o ataque.
- Ataque? – murmurou John, aparecendo com o resto dos nossos soldados. – Que ataque?
- A guerra começou. – falei, sorrindo. – E agora, temos mais 3 vampiros para nos ajudar. E se tudo der certo, nosso exército aumentará até o fim da semana.
Porque se Rodolfo não concordar conosco serei obrigada a dar o primeiro passo e tomar os soldados dele.
Mas não posso correr o risco com Melody presa lá.
Só espero que ela tenha entendido o recado.
Kirie
Felix e Drake estavam parados a nossa frente, parecendo mais fortes do que nunca.
E o que é novidade: vivos.
Não eram mais brilhantes, não eram mais espíritos. Corpo e alma. Eles estavam MESMO VIVOS.
Quando me viu, Felix sorriu, vindo em minha direção graciosamente. Vivo ele tinha um andar elegante e calculado, como se medisse cada movimento. Ele se curvou educadamente para mim antes de segurar minha mão.
- Eu disse que nos veríamos novamente.
Mordi o lábio, sentindo que estava ficando vermelha (o que é impossível, já que estou morta). Felix era um perfeito cavalheiro.
- Eu... Eu não parei de pensar em nosso último encontro por um minuto sequer. Eu... precisava te ver novamente. – ele murmurou, como se temesse que alguém nos ouvisse. – E quero que me prometa uma coisa.
- Promessa? – confusa, perguntei-me se ele me pediria algo impossível. Afinal, o que diabos ele poderia querer comigo?
- Me prometa que se a coisa ficar muito feia você vai fugir.
- Isso nunca. Não posso abandonar Rose e os outros. Melody me salvou!
- Eu sei. E por isso quero que prometa isso. Melody não ia querer que morressem por ela. Nem Rose.
- Isso é loucura! Vamos lutar! Rodolfo não vai destruir mais ninguém!
- Vamos detê-lo, claro que vamos. Mas eu quero você segura. Olha, eu sei que parece loucura, mas desde que nos encontramos daquela vez, algo vem me atraído até você. E eu só sinto que preciso te proteger.
Um brilho no olhar dele me pareceu familiar. Como se eu já o conhecesse, como se reconhecesse a alma dele (tipo naqueles livros que você reconhece alguém de suas vidas passadas).
Mas era loucura. Afinal, éramos todos vampiros, não é? E eu nem me lembrava de minha vida antes da transformação, imagine de outras vidas...
Mas eu entendia o que ele dizia, porque, apesar de ser loucura, eu vinha sentido o mesmo. E foi por isso que me peguei dizendo:
- Eu prometo. Mas você virá comigo.
Só espero que não precisemos fugir. Só espero que consigamos vencer Rodolfo.
Só espero que Melody esteja bem...
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