Mélody
Rose havia enlouquecido. Começar a guerra? Que problema ela tinha? Não era necessário nada disso.
-Mas que idiota!- disse baixo.
-Acalme-se- Rafael me ordenou.
-Não há como! Ela esta pondo abaixo minha ideia!
Bati a cabeça na parede.
Ouvi os passos na escada e fiquei séria. Meio segundo depois Rodolfo explodiu a porta.
-Eu vou MATAR a sua irmã! Ela quer uma guerra e vai ter!- Gritou ele. A voz estava tremula e pensei que ele fosse chorar a qualquer momento, ou até mesmo se jogar no chão e espernear como uma criança – Ela mata minha esposa, ressuscita meus filhos... Que tipo de monstro ela é?
Eu sabia que quando chamou Rose de monstro falava sobre Drake e Felix. Era claro para mim que ele não se importava com Marilyn, e que amava somente Clary, sempre amará apenas ela. Mas não esperava que ele admiti-se isso tão fácil.
-E vai fazer o que?- eu disse fria enquanto cruzava os braços abaixo do busto.
-Vamos arrumar as tropas e atacar! Você fica ao meu lado e Rafael fica no castelo com Clarissa...
-Vai deixar a doce Clarissa sozinha comigo?- Disse Rafael em um tom misteriosamente sedutor.
Rodolfo rugiu, literalmente, agarrando Rafael pelo colarinho o tirando do chão. Girei, agarrando o corpo fraco de Rafael, impedindo-o de enforcar-se.
-Não ouse tocar nela! Eu lhe deixei vivo! Tinha imensa gratidão!
Senti Rafael tremer em meus braços, rindo.
-Eu nunca pedi para viver.
Soltei Rafael tão rápido quanto terminou de dizer aquilo. Ele engasgou.
-Me segure Mél!- gritou ele.
-Você não pediu para viver – eu disse fria e calmamente.
Caminhei até Rodolfo, olhando os olhos assustados de Rafael.
-E-eu estava brincando... Rofo, você... Você me conhece!
-Não mais.
Rodolfo agarrou o pescoço de Rafael, quebrando-o como se fosse um simples graveto. Não pude deixar de sentir pena de Rafael, mas não me faria falta no final. Acho que estava me tornando fria, mais do que o próprio Rodolfo fora.
Ele se virou para mim, fazendo uma reverencia com a cabeça.
-Precisa de alguém que fique de olho em Clarissa.
-Me sugere alguém?- disse ele levantando a sobrancelha.
-Vanya. Você confia nela, não é?
Sem dizer mais nada, indicou a porta e seguiu a direção, descendo as escadas. Sem fazer ruído, segui-o.
Drake
-Parece que estão começando a se mover.
Jake permanecia atento ao ponto enevoado onde o castelo estava. Lógico que esperava ver Mélody a qualquer momento, presa a correntes provavelmente. Mas quando ela apareceu ele ficou tão surpreso quanto todos nós, apesar de muitos já terem a idéia de ela nos ter traído.
O exercito de Rodolfo estava posicionado a nossa frente, perfeitamente alinhado, como se um fosse a sombra do outro, com movimentos copiados de um treinamento rigoroso. Enquanto isso, nós estávamos meio desalinhados, mal organizados em tamanho, mas combinando técnicas.
Mélody estava sentada em um trono, ao lado do de meu pai. Os dois vestiam roupas de batalha, mas enquanto papai usava algo mais dourado e que chama-se a atenção de todos, Mélody usava uma armadura negra, que lembrava, especialmente por seus olhos sangue, um dragão frio, forte e imponente.
-O que aquela VACA está fazendo?- Rose gritou.
Mélody não pareceu nem mesmo ouvir enquanto, alheio a tudo, papai sorria.
-Por que não dá o primeiro passo Rosemary?- brincou ele.
Rose sorriu furiosa e moveu o pé para frente. Em um milésimo de segundo o exercito a nossa frente explodiu.
Mal pude ver papai se movendo contrariamente a luta, voltando lenta e despreocupadamente ao castelo. Era a minha chance.
Em meio segundo me teletransportei, aparecendo a frente de Mélody.
-Onde?
-Torre – disse ela, enquanto me golpeava no peito – Rafael está morto – sussurrou me chutando para o chão.
Caindo de costas, demorei mais meio segundo para me teletransportar para a torre onde Mélody ficará presa enquanto viveu no castelo.
A primeira coisa que pude ver foi Clarissa, sentada em uma poltrona vermelha, descansando suavemente em um vestido esmeralda que lhe realçava a pele e os cabelos.
-Clar...
Um baque em minhas costas me jogou contra o chão.
-Então realmente estás vivo!
Virei, ainda de quatro, olhando-a.
-Só você para me deixar de quatro, Vanya!- eu disse sedutoramente.
Ela sorrio, chutando-me no queixo. Cai.
-Muito galante o senhor!
Segurei seu pé e puxei-a para o chão, escorregando para cima dela.
-Estamos perdendo tempo- sussurrei.
Com a respiração falhando, ela me chutou para cima, levantando-se suavemente simplesmente disse:
-Vamos.
Jake
-Olha, nada contra sua noiva, mas acho que ela realmente nos traiu!- Joe gritou.
-Não pode ser o que parece!- gritei de volta enquanto, com uma árvore com a copa em chamas, rasgava três inimigos de uma só vez.
-Ela atacou Drake!- Felix passou correndo por mim, acertando os pés no peito de um vampiro à frente, caindo sentado sobre ele, arrancando-lhe a cabeça, deixando que o sangue flui-se do pescoço rasgado.
Mélody não atacaria nenhum de nós. Não sem motivo pelo menos. Mas para todos que viram, parecia que ela havia trocado de lado. Eu tinha certeza que não, mas Rose e os outros pareciam duvidar.
Senti alguém me puxar e me vi voando, acertando com força as costas em uma árvore, que partiu ao meio. Abri meus olhos, com a visão meio turva. Dois homens de Rodolfo corriam para mim. Sem pensar direito, ainda com o rosto de Mél em mente, segurei-me no tronco quebrado da árvore, usando-o como apoio.
Quando eles estavam próximos o suficiente, esmaguei a parte do tronco que estava em minha mão, jogando as fagulhas neles.
Enquanto protegiam os olhos, cravei as mãos em garras em seus peitos. Suspendi meu corpo e me balancei, lançando-me para frente. Os dois caíram no chão enquanto seus corações ainda pulsavam em minhas mãos, os quais esmaguei enquanto corria de volta ao campo de batalha.
Eu consegui ver pelo canto do olho Jeff rasgando uma garota ao meio e jogando-a em cima de um garoto, que caiu para trás assustado, tendo o próprio pescoço arrancado um segundo depois.
Joe dava ordens aos nossos companheiros, guerreiros de primeira viajem.
Eu não sabia para que lado correr.
Felix me puxou pelo braço, abaixando-me. Uma bola de fogo raspou nossos braços que estavam protegendo nossas cabeças.
-Mas que PORRA é essa?
-Parece que um dos caras que está com eles lança bolas de fogo.
Consegui visualizar o rosto do homem, antes de mais bolas de fogo serem lançadas contra nosso exercito.
-Eu fico com ele!
Felix não teve tempo de me puxar novamente, eu corria em direção ao homem de capuz de fogo. Ele percebeu, rápido demais, minha movimentação. Eu claramente virei o novo alvo.
Usando um inimigo de apoio, me lancei no ar, girando meio segundo antes de ser atingido por uma das bolas. Comigo na mira, eu só pude ver o lampejo da bala indo para cima. Felix havia conseguido atravessar o campo de batalha a tempo, para arrancar a cabeça do homem e esmagar, com a sola da bota, seu coração.
Nós dois olhávamos um exercito imóvel agora. Nossos homens, e mulheres, atacavam a todos como se fossem bonecos de treino.
Ao mesmo tempo, Joe, Jeff, Felix e eu, olhamos na mesma direção.
Rose caminhava em direção a Mélody, e tudo, a não ser elas, parecia completamente morto.
Mélody
Eu sabia que se tenta-se Rodolfo não me deixaria sair de onde estava. Onde estava Rose?
Como se tive-se me ouvido, o que ela provavelmente fez, Rose apareceu poucas cabeças a frente, correndo para mim enquanto o exercito, obedientemente, separava-se para abrir-lhe caminho.
-Mélody!- ela gritou furiosa.
-Rosem...
Pulei nela, segurando seus braços longe de mim, dando-lhe uma cabeçada quando tentou morder-me.
“Leia a PORRA dos meus pensamentos Rose!” gritei dentro de minha própria mente enquanto mostrava-lhe os dentes. “Veja o que estive fazendo! Veja como essa guerra é ridícula!”
Ela rosnou e pude sentir, e pelo que pude perceber Rose também, algo nos puxando. Por um instante tudo ficou preto e pensei que havia desmaiado, mas quando abri meus olhos...
-Mas que DROGA!- Rose gritou.
O lugar parecia um velho pântano, lamacento, fedorento e enevoado.
-Onde es...
Rose pulou em mim, jogando-me no chão cheio de lama.
-O que pensa que está fazendo sua idiota?- gritou ela.
-Eu não fiz nada!
-Atacou Drake!
-Avisei onde Clary estava!
-E ficou sentada vendo gente morrer!
-Eu tive meus motivos.
-Pare de fingir!
-Não ven...
-Basta!- disse uma voz feminina e imponente.
Aproveitei a desatenção de Rose para joga-la para o lado com uma rajada de vento. Ficando em pé, limpei-me enquanto via de canto Rose tentar tirar, em vão, a lama das botas.
-O que deu em vocês?
Outra mulher apareceu. Na verdade, de principio parecia ser uma sombra da outra, mas ao contrario das roupas coladas e confortáveis, esta usava um vestido longo, de barra suja, até poderia dizer imunda, de lama.
-Estas são as Blood Sisters?- sussurrou em sua voz doce.
-Vergonhosamente, sim!
-E vocês são as originais que, obviamente, fingiram a própria morte- falei em tom frio.
-Exatamente- disse Samanta sorrindo enquanto olhava para a séria Alice.
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