Capítulo 20 – tudo acaba bem
Rosemary
- O que vocês estão fazendo aqui?
- Não é obvio? – Alice revirou os olhos. – Viemos acabar com sua guerra.
- Essa guerrinha inútil tem que acabar e agora. – completou Mel, me olhando com seu olhar “eu estava certa o tempo todo LALALA”.
Alice pareceu não gostar da atitude de Mel, mas o que me causava arrepios era o eterno sorriso no rosto de Samanta. Parecia que algo extremamente feliz a envolvia, e aquilo estava começando a me causar náuseas.
- Vocês não conseguem ver que isso não leva a nada? – continuou Alice, cada palavra era como um tapa.
- Mas conseguimos uma coisa. – disse Mel, sorrindo.
- E o que seria, hein mocinha?
- Fizemos Rodolfo recuperar sua humanidade e perceber que ainda é capaz de amar! – ela vibrou, dando pulinhos. Todos a encararam. – Ah, qual é, gente! Ele está neste exato instante arriscando tudo por Clarissa.
- Porque ele a deseja. – falou Samanta, odiando o comportamento de Mel.
- Não, porque ele a AMA. – Mel corrigiu, com um gesto de “por favor, vadia, calada.”
- E como é que você sabe? – perguntei, bufando.
- Simples! – ela parecia ter esperado o tempo todo pra dizer isso – Você não pensou que eu tinha mesmo traído todo mundo né?
Engoli em seco, porque eu realmente tinha considerado isso. Quero dizer, não me leve a mal, mas ela nos ABANDONOU. Era suspeito demais.
- Tudo bem, Rose, não me responda. Continuando...
Mel segurou minha mão e a de Alice e seus olhos ficaram totalmente brancos. Demorei a entender que esse era um dos novos poderes dela.
O campo de batalha apareceu a nossa frente. Rodolfo estava com sangue no rosto e nas mãos, mas algo me dizia que não era dele. Estava olhando furiosamente para um homem forte parado a sua frente. No inicio pensei que ele só queria matar mais um, mas então percebi o que acontecia:
Todos estavam parados, apenas observando.
Felix e Kirie estavam de mãos dadas, assistindo a cena, com hesitação. Drake e uma outra garota estavam atrás de Rodolfo, atentos a qualquer movimento. O resto dos soldados estavam em um circulo, com Rodolfo e o musculoso no centro. Pareciam aguardar o movimento final.
- Eu já concordei em parar a guerra, por que ainda está segurando ela? – ele rosnou. – Eu ordeno que a liberte!
- Ela não é propriedade sua, Rodolfo. Ela é livre pra escolher o que quiser.
Só então percebi Clary nos braços do musculoso. Ela estava chorando, desesperada por liberdade. Ela olhava para Rodolfo e em seus olhos vi que ainda o amava. Ela morreria por ele sem hesitar e tudo que queria era que ele a salvasse, a tirasse dali, mas sabia que era impossível. Rodolfo nunca admitira que sentia tais sentimentos por ela, não em público.
- Eu... Ela é minha. Eu a quero. E ela quer ficar comigo também, não quer? Diga a ele, Clarissa.
- Eu... Eu não posso. Eu não...
- Ela não quer você. – o musculoso acariciou levemente o rosto de Clary, beijando a bochecha dela. – E ela não tem nenhum valor sentimental pra você, não é mesmo? Então não se importa se eu fizer isso...
Ele colocou-a no chão rapidamente, suas mãos apertando o pescoço dela – não; ele estava fingindo que apertava. Não havia dor nos olhos de Clary, mas ela estava com medo. Suor escorria por seu rosto. Felix deu um passo a frente, mas Kirie o impediu de se aproximar mais.
- Não faça isso com ela! – gritou Rodolfo, avançando. – POR FAVOR. Eu imploro.
- E por que não? – o musculoso sorriu, me dando arrepios.
- Porque eu... – Rodolfo engoliu em seco, hesitante. Depois olhou mais uma vez para Clary e disse – Porque eu a amo.
Só essas palavras – “porque eu a amo” – fizeram o musculoso virar pó em questão de segundos e todos voltarem a ativa. Abraços e sorrisos foram trocados. Amizades foram refeitas. Tudo estava bem novamente.
E percebi que nunca tinha ficado ruim. Era tudo parte de um plano, um plano genial onde Melody era a líder e planejara tudo desde o inicio.
E eu fora uma idiota em contestar.
- Mel. – falei, quando a visão acabou. – Me desculpe por...
- Shh, calada, boba. – ela me abraçou, rindo. – Você não poderia saber, senão ia estragar tudo!
As antigas Blood Sisters se entreolharam e acenaram a cabeça.
- Acho que não precisam mais de nós.
Elas uniram as mãos e fecharam os olhos, emitindo muita luz. Um calor percorreu meu corpo quando a luz girou em torno de Mel e eu. Senti todas as coisas boas e ruins, misturadas, rodopiando dentro de mim. E de repente, as Blood Sisters sorriram e desapareceram, levando a luz com elas.
- E agora, o que faremos?
- Agora voltamos para casa.
- Agora voltamos para casa.
- E OLHA SÓ QUEM NÃO ESTÁ MAIS SOLTEIRA! – berrou Drake, abraçando Mel (sim, eu disse abraçando) com força, gargalhando. – Senhoras e senhores, eu apresento a senhora Jake Não-Tenho-A-Menor-Ideia-Do-Sobrenome!
- Ah, seu idiota! – Mel socou o ombro dele, separando-se do abraço para envolver a cintura de Jake. – Eu sou uma mulher casada, olha o respeito.
- Ou eu quebro sua cara, morto-vivo. – Jake sorriu, beijando o cabelo de Mel.
- Whoa, calma aí, amigão. Eu sou um rapaz comprometido e levo isso a sério. – ele apontou para Vanya (os dois realmente formam um belo casal) e piscou para Mel. – Mas estarei sempre disposto a me divertir com a madame, como bons amigos, é claro. – ele beijou gentilmente a mão dela.
- Não é engraçado? Há alguns meses vocês se odiavam mortalmente! – falei, envolvendo todos num abraço apertado.
- E eu estava morto. – riu Drake, como se contasse que a grama era cor-de-rosa. – E você, madame, não é mais aquela garotinha.
- Todos têm de crescer um dia. – falou Jeff, empurrando Drake para me puxar para si. – E aí, alteza?
- Sem brigas vocês. – Clary riu, encostando a cabeça no peito de Rodolfo. – Estamos todos bem felizes agora que somos uma família.
- Os apaixonados sempre têm essa cara de idiota? – riu Drake, dando uma cotovelada na barriga de Felix.
- Não sei, mas você faz essa cara quando Vanya está perto. – Kirie mostrou a língua para o cunhado, que rosnou em resposta.
- Calados vocês dois, ou mato você de novo, irmãozinho.
- Você sabe que não vive sem mim. – Felix piscou, fazendo Drake revirar os olhos.
- Vocês dois me lembram alguém. – Rodolfo bocejou, como se tudo estivesse dando-lhe vontade de dormir (coisa que ele não fazia há anos) – Será que podemos por favor ir para casa?
- Mas, querido. – Clary sorriu, olhando para ele. Depois apontou para o grande jardim do castelo, onde se realizara o casamento de Mel e Jake, junto com o meu e de Jeff, Felix e Kirie, Vanya e Drake e (Finalmente) Rodolfo e Clary. – Já estamos em casa.
FIM
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