segunda-feira, 14 de março de 2011

Capítulo 11 - Um novo poder

Rose

- Algo ruim? - questionei, curiosa.
- Sim, Rose. E é tudo culpa daquilo que você chama de pais biológicos!
- Mel, eles eram amigos do Felix!
- Que se dane aqueles dois! Amigos nada! Os pais de Felix eram reis, por isso nossos pais eram amigos dele! - ela gritou.
- Mélody, acalme-se!
Ouvi a voz dele. Fazia tanto tempo que ele sumira... Eu senti tanto a falta de Felix! Queria abraçá-lo, mas não pude vê-lo. Senti seus braços em torno de mim e vi Jeff ficar magoado/furioso.
- Rose... - ele sussurrou; senti seus lábios em meu cabelo - Acalme-a.
Mel... Mas como, Felix? pensei. Eu sabia que ele iria me ouvir.
- Você sabe como. Olhe no fundo dos olhos dela e diga para ela ficar calma.
Olhei no fundo dos olhos vermelho de minha irmã. Senti um novo poder vir por meu sangue, subindo para meu rosto, explodindo nos olhos. Agora eu possuía três dons - os dois primeiros, a telepatia e a vidência, irritantes - e me sentia mais poderosa, mais forte.
- Mélody Livingstone, - ordenei - você vai se acalmar agora! - senti o comando em minha voz.
Ela imediatamente ficou quieta e Jeff me olhou, incrédulo.
- Rose, meu amor, seus olhos estão vermelhos e brilhantes. Parece que você bebeu sangue humano.
- O que? - disse, assustada, procurando um espelho na bolsa.
Gritei ao me ver. Meus olhos dourados estavam vermelhos! Não! Não! NÃÃÃO!
- Está linda, Rose. - Felix sufocou um riso. Eu podia vê-lo agora.
- Linda? Olhe para mim! Sou um monstro! - rosnei, bufando.
- Use lentes, como eu. - Jeff disse, dando de ombros.
- Espere aí, espere um pouco! - Mel disse, levantando-se do tronco em que sentara - Quer dizer que, além de ler mentes, ver o futuro, ver e falar com mortos, agora Rose controla as pessoas e suas emoções? - disse ela, perplexa - Eu preciso descansar.
- Mel, o que... - Jake começou, mas ela o interrompeu.
- Jake, calado! - ela chorava - Viu só, Rose? Eu disse que algo ruim aconteceria.
- Calma, Mélody! - ordenei, furiosa. (sem, na verdade, estar furiosa)
Ela parou o choro, sentou-se no banco e Jake me olhou, assustado.
- O que você fez com ela?
- Ela vai ficar mais calma, Jake. Só isso. - Jeff disse.
Não! Ela está bem? pensou Jake.
- Está, Jake.
Subi no carro de Mel e convidei os outros a entrarem. Felix, é claro, materializou-se no banco ao lado de Jeff e começou a rir.
- O que foi? - rosnou Jeff.
- Nada, pirralho.
- Dirija para nossa casa. - ordenei.
Ela obedeceu, o olhar vazio fitava a estrada. Os pensamentos de Jake eram cheios de preocupação e os de Jeff eram de... Raiva?
Rose, pare de me controlar! pediu ela, em pensamentos.
- Continue.
- ignorei-a.
Ela dirigiu a 200 por hora e estacionou o carro em frente à nossa casa. Descemos e parei de controlá-la. Jeff e Felix envolveram minha cintura com os braços. Um triângulo amoroso com DOIS corpos e UMA alma! Perfeito.
- Olá, meninas. - disse Trish, minha mãe, inalando o ar - Trouxeram um lanche?
- Se afasta dele!
Mel rapidamente ficou numa posição de ataque/defesa em frente à Jake. Isso me lembrou a morte de Felix.
- Já chega, já chega. - disse Felix - Harry, Trish, Jake NÃO É o lanche! Rose, por favor?
- Mélody, Trish e Harry. Separem-se! Agora. - ordenei.
Foi como mágica quando eles obedeceram ao meu comando. Felix sorriu, orgulhosamente.
- Bom, Rose. Muito bom mesmo! - elogiou Jeff.
Olhei nos olhos de Harry e Trish (nossos queridos e adorados pais biológicos) e ordenei que eles saíssem da casa por umas semanas e que me dissessem como acordar nossos pais de criação.
- Peça à eles. - disse Harry, parecendo um zumbi.
E saíram logo então. Mel e eu subimos para o quarto de nossos pais e os vi dormindo. Ou melhor, em coma.
- Acordem.
- disse, educadamente.
Meu pai humano abriu os olhos, espreguiçou-se e levantou aos poucos. Minha mãe imitou seu gesto e sussurrou:
- Onde estamos? Que dia é hoje? Mélody? Rosemary?
- Mãe, pai! - Mel disse, chorando, abraçando-os - Vocês acordaram!
- Ah, Mélody, não me abrace tão forte e... Rose! Ai, meu Deus, Rose! Seus olhos!
- Ah, mãe é uma longa história! E vocês estavam em comas há meses!
- Semanas, Rose. – corrigiu Mélody.
- O que perdemos? – perguntaram eles, curiosos.
- Felix morreu, Jake e eu estamos mais firme na relação, Rose tem outro namorado, minhas notas aumentaram, mas Rose não teve nenhum progresso e...
- Obrigada, Mélody! – bufei.
- De nada. – ela sorriu, sarcástica.
- Espere. – disse meu pai – Nosso amigo Felix morreu? Há quanto tempo?
 Felix sorriu, mas eles não viram. Ele era amigo de nossos pais biológicos e humanos.
- Diga a verdade, Rose. – pediu ele, sussurrando – Conte sobre tudo. Eles merecem saber.
- Agora não. – sussurrei – Será muito para eles.
- Rose? – perguntou meu pai.
- Ah, desde que eu sumi naquele dia, lembra? Eu estava no... Ai!
 Mélody deu uma cotovelada na barriga e eu gemi de dor.
- Cale a boca, Rose! – sussurrou ela – Eles não devem saber.
 Jeff abriu a porta do quarto e Jake estava atrás dele. Jeff parecia cansado de esperar e bravo por Felix estar comigo e não ele.
- Olha só, tem umas coisas lá fora que vocês deviam ver e... Sangue.
 Seu olhar perdeu o foco. Vi uma linha fina escarlate escorrendo do pescoço de meu pai e vi Mel e Jake segurando Jeff.
 - Saia daqui, Jeff! – ordenei.
 Mas ele não obedeceu. O cheiro era forte demais. Corri até ele, empurrando-o para fora do quarto, indo rapidamente para fora da casa.
- Jeff, acalme-se!
- Rose! Ai, meu Deus! Me desculpe! Eu não...
 Ele começou a chorar e me abraçou. Abracei-o de volta, com medo.
 - Amor, tudo bem. Vá para casa com Jake e volte amanhã, tudo bem?
- Ta. Eu te amo, Rose. Desculpe.
 Ele me beijou rapidamente e correu para a fazenda com Jake.
 - Mel, - disse eu, quando eles já estavam longe – sei como Trish e Harry deixaram papai e mamãe em coma.
 - Como, mana?
 - Sangue, Mel. Eles sugaram sangue deles, mana.
 - Ai, meu Deus! Temos que dar um jeito!
- Calma, mana. – pedi, sem usar o dom – Jeff disse que precisávamos ver uma coisa. Acho que sei o que é.
 - O que é, mana?
 - Lembra do colar que Jake achou, que era meu?
- Sim.
- Eles, o meu e o seu, têm um feitiço. Precisamos destruí-los.
- Que feitiço?
- Nossos pais não foram mortos, como achávamos. Eles nos deram o colar para esconder nosso passado. Se destruirmos os colares, muitas coisas serão reveladas.

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