segunda-feira, 14 de março de 2011

Capítulo 6 - Pais

Melody

Depois de deixar Rose em seu quarto com certa luta, voltei para a sala com os dois estranhos.
-Agora me expliquem o que vocês querem conosco!
-Você não está em posição de dar ordens moçinha.
-Eu só não tento matar vocês, porque se eu morrer Rose não terá quem cuide dela.
Eu estava furiosa, sentia o ar sair forte por minhas narinas e o rosnado se formar em minha garganta.
-Nós podemos ajudar a cuidar dela.
-Não podem. Vocês nunca estiveram presentes quando precisamos, e agora deixaram nossos pais em coma.
Eles trocaram olhares como se procurassem uma resposta.
-Nós não sabíamos que vocês estavam vivas. Meu irmão Ravier deu vocês e disse que não sabia nada sobre vocês. Ele era o único que sabia que nós havíamos tido filhas.
Ela parecia até uma mãe de verdade falando daquele jeito.
-Vocês não têm todos esses sentimentos. Eu fui criada por humanos, nós sentimos emoções. Vocês que só mataram a vida toda não sentem essas coisas.
-Nós sentimos sentimentos sim, só não sabemos nos expressar.
-Assim como Jeff! Tirando a pessoa que se ama, é assim que querem nos conquistar?
-Nós amamos vocês!
-Provem trazendo meus pais de volta ao normal!
Eles se olharam e se levantaram juntos do sofá. Eles tinham uma sincronia perfeita, séculos de convivência. Seus olhos estavam firmes nos meus.
-Você se parece muito com seu pai, Mélody!
Ela estava sorrindo. Eu não precisava ser vidente pra saber que esses dois iam aprontar alguma coisa. Eles estavam sendo tão carinhosos conosco, não acho que alguma palavra dessas seja verdade. Seus olhos não me pareceram sinceros o tempo todo.
-Vocês vão trazer nossos pais ao normal ou não?
Meus olhos eram de fúria. Eu podia ver meu reflexo nos olhos de sangue deles.
-Por agora não.
-Então não precisam ficar mais aqui.
Levantei-me rapidamente e apontei a porta. Eles se olharam por um instante se dirigiram para lá. Eu sentia que os dois, assim como eu e Rose, tinham uma ligação de pensamentos. Quando estavam saindo pela porta Jeff apareceu. Eles se puseram em posição de ataque e tive que me meter na frente. Não podia acreditar, eu estava defendendo Jeff. Talvez porque eu soubesse que Rose amava ele no fundo.
-Eu fico com ele. Entra agora, Jeff.
Coloquei-o para dentro com força.
-Tem certeza? Não foi ele que matou o príncipe Felix?
-Foi ele sim, e eu preciso falar com ele.
Eles se puseram em suas posições normais e partiram na escuridão da noite. Jeff estava sentado no sofá me esperando, surpreso.
-Eu sei que Rose te ama e você a ama, mas acho que por mais que eu não goste disso, eu preciso de ajuda com ela - eu estava chorando – eu não sei mais o que fazer com Rose! Não quero mais ela desse jeito. Não agüento mais. Minha irmã virou uma morta viva.
Senti seus braços me envolverem e sai do seu abraço rápido.
-Não é a mim que tem que ajudar. É Rose.
Ele estava olhando para mim assustado.
-Eu vou ajudar. Prometo – ele se colocou de pé a minha frente – vou fazer tudo que puder, prometo.
A campainha tocou e fui atender. Era Jake. Joguei-me em seus braços e chorei desesperada.

Jake


No momento em que ela abriu a porta se jogou em meus braços chorando. Eu não pude fazer nada além de abraçá-la e beijar seus cabelos.
-Vai ficar tudo bem!
-Eu não tenho mais certeza.
Ela soluçava entre cada palavra. Meu coração doeu em vê-la naquele estado. Ela pareceu sentir isso e me olhou. Seus olhos vermelhos estavam cheios de lagrimas, e seu rosto estava molhado. Jeff apareceu.
-Eu vou tirar Rose daquilo e tudo vai ficar bem novamente.
-Não é mais tão fácil.
Olhei para ela surpreso.
-Como assim?
-Nossos pais verdadeiros apareceram, eles deixaram meus pais em estado de coma e eu ainda não sei – ela parou para limpar o rosto – eles querem algo comigo e Rose, mas eu ainda não sei o que é!

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