sábado, 12 de março de 2011

Cαpítulo 3 - Poder e dor

Rose

A dor era insuportável.
Minha mão não parava de sangrar e aquilo doía demais, mas eu não podia voltar. Vi Mélody atrás de mim e consegui forçar para aumentar a velocidade. Não podia matar aqueles humanos então corri. Voltaria para casa assim que pudesse.
Vi Mélody desistir da corrida e continuei. Precisava de um médico.
- Rose, aqui!

Felix me levara para sua casa. A casa dele era perto da de meus pais adotivos, então o sangue diminuíra. O engraçado é que eu perdera o sangue que tirara do coelho que matei.
- Prontinho! Está melhor?
Assenti com a cabeça. Senti a dor de Mélody tomar conta de meu ser e quando notei estava nos braços de Felix. Ele usara seus dons para me acalmar e logo eu melhorara. Olhei para seu rosto pálido. Os olhos vermelhos combinavam com os cabelos castanhos escuros. Sorri de gratidão e me separei dele.
- Ainda doi?
- Um pouco. Preciso voltar.
- Espere, Rose. Posso fazer passar.
- Felix, não posso fazer isso.
- Quem liga? - ele cortou o braço com uma faca e me ofereceu - Beba.
O cheiro entrou em minhas narinas e tomou conta de mim. Quando percebi, já sugara o sangue que escorria por seu braço.
- Desculpe, Felix.
- Tudo bem. Ah, podemos sair hoje?
- Felix, eu tenho 16 anos. Desculpe, mas não sinto por você o que sente por mim.
- Tenho tempo para esperar. Te vejo logo, Rose.
Antes de me deixar sair, Felix levou seus lábios aos meus. Lutei para me separar dele e fui para casa. Não queria magoar os sentimentos dele, mas também não o amava tanto. Ele era como meu irmão.

- Rose! - Mélody me abraçou quando passei pela porta - Quase me matou!
Meu pai pensou que Mélody estava exagerando e riu. Ele não sabia que era sério. Subi para o quarto abraçada à minha irmã.
- Onde esteve?
- Com Felix!
- Rose, ele tem 30 anos! Sabe o que ele sente por você e isso é perigoso.
- Desculpe, Mel, mas ele, e só ele, pode me curar da dor.
- Rosemary, sabe que ele é perigoso! Ele é mais forte que você e pode te matar! -ela usou meu nome de batismo vampirítico e isso quer dizer que estava brava.
- É Rose, Mel! - corrigi.
- É Mélody, Rose. - ela fez uma careta - Rose, me diz que ele não fez nada com você? Senti suas emoções e acho que está me escondendo algo.
Ah, é! O lance do pacto faz com que irmãs de sangue vampiras sintam tudo o que a outra sente.
- Ele me beijou de novo, Mel.
- Da última vez que ele fez isso, você ficou hipnotizada por uma semana. Ele é poderoso, Rose, e pode te matar!
- Tudo bem. Vou tomar cuidado. Eu vou me deitar.

Passei parte da noite pensando em Felix. Sabia que ele fazia isso comigo. Felix controla as pessoas e as cura. Ele é um dos vampiros mais poderosos que já conheci. Seu sangue é sangue real e isso o torna tão forte. Ele já conseguiu me hipnotizar com um beijo e isso não foi legal. Quase perdi a memória por causa disso.
Meus pensamentos foram substituídos por uma visão. Eu me vi nos braços de Felix, ele me beijava e tentava tirar minha blusa. Meus olhos estavam brancos - o que quer dizer que eu estava hipnotizada. Balancei a cabeça para sair daquela visão (não queria ver aquilo)
A visão sumiu e veio um pesadelo. Era tudo escuro e ao mesmo tempo claro. Mélody estava sentada em uma árvore e chorava. Demorei a perceber que aquele não era o meu sonho. Saí da cabeça de Mélody - o lance do pacto também faz com uma entre na cabeça da outra e saia quando quiser, e pra isso precisa de muito poder - e a acordei.
- Mélody, acorda! - segurei-a pelos braços e a sacudi.
- Rose! - ela chorava - Ai, foi horrível!
- Eu sei, foi só um pesadelo.
- Eu estava dentro da sua cabeça antes de tê-lo. Rose, eu vi o que pensou. Você quer a ele, não quer? Você quer ir até ele?
- Não, não quero. Ele me quer e posso tirar proveito disso. Olha, ele pode ser nosso guardião e nos proteger de...
 Não consegui terminar a frase. Meu corpo já não me obedecia mais e me vi indo em direção à janela. Saltei para a casa de Felix e vi Mélody ir atrás de mim. Eu não podia me mexer por vontade própria e as palavras de Felix ecoaram em minha cabeça.
- Você vai pensar em mim hoje à noite. E vai querer estar comigo.
Uma dor de cabeça tomou conta de mim e eu fiquei em transe hipnótico. Pelos pensamentos de Mélody, vi que estava com Felix, ele estava com os lábios roçando em meu pescoço.
- Felix, não! - gritou ela.
Ele me beijou novamente, dessa vez furiosamente. Mélody pulou em cima dele para impedí-lo, mas ele já tinha bebido uma gosta de meu sangue. E me fizera beber o dele. Agora estávamos ligados um ao outro - assim como eu estava ligada à Mélody. Ele me soltou e sussurrou em meu ouvido:
- Eu te amo, Rose. E você será minha.
- Eu vou te matar, seu abusado! Pode ser preso por fazer isso com... - Mélody gritou.
- Tudo bem. Leve-a para casa. Mas agora ela já está ligada à mim.

Mélody me deitou na cama e ficou tentando me tirar do transe hipnótico. Meus olhos abriram e eu voltei ao normal - ou quase.
- Deve haver um modo de reverter isso! - ela disse - Eu te disse que ele era perigoso.
- Eu sei, mas... Ai! - a mordida de Felix começou a doer. A ferida ardia e eu caí no chão de dor.
- Aquele safado! Eu vou matá-lo! Rose, faça ele parar. Peça à ele. Precisa descansar.
- Já passou. - menti.
Mélody dormiu e eu fui ver Felix. Ele fez a dor passar e eu corri para meu quarto. Felix prometeu não invadir meu quarto de novo e por algum motivo eu acreditei nele. Caí no sono assim que as dores acabaram. Felix era traiçoeiro, mas ele fizera a dor passar. Suas atitudes me assustavam, mas eu precisava dele por algum motivo.

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