segunda-feira, 14 de março de 2011

Capítulo 3 - A prisão

Rosemary Livigstone



Mel me deixou aqui. Ela se foi, mas prometeu voltar amanhã. Meu corpo precisava de alimento - de sangue. Estava fraca. Jeff não me dera comida alguma. E ainda diz que me ama! Bufo e deito-me no chão frio. Jake não era mal; ia me libertar mais cedo ou mais tarde, eu vira em uma visão. Mas precisava de um jeito de dizer à Felix que estava bem.
Uma coruja apareceu na janela e chamou minha atenção. As corujas sempre foram boas mensageiras. Aproximo-me dela e ela se aninha em minha mão.
- Boa menina. Pode me trazer um caderno?
Ela voa para o céu escuro e volta logo com o que lhe pedi. Acaricio sua cabeça e vejo que ela também trouxe uma caneta. Ela senta-se em meu ombro e observa as lágrimas caírem enquanto escrevo.
Querido Felix,
eu não posso dizer onde estou. Perdoe-me e perdoe Mel por também não o fazer. Prometo voltar logo para seus braços, mas não digo quando. O que mais queria no momento era estar com você. Estou bem, juro. Eu te amo.
Sua Rose.

- Tome. - dei o papel, após arrancar do caderno, à ela - Leve à casa de Felix, por favor.
Vi a coruja partir com uma dor no peito. A porta se abre e vejo a silhueta de Jake na porta. Vou te soltar, Rose pensa ele, mas não é isso que faz

Felix

Mélody não me contou nada.
Simplesmente foi à minha casa e disse que não podia me dizer onde Rose estava. Vi em seus olhos que ela sofria com isso. O bom de ser da realeza é isso: posso controlar a mente das pessoas.
- Conte-me. - pedi, olhando no fundo de seus olhos - Por favor.
Mélody era forte. Conseguiu livrar-se de meu poder e pediu desculpas. Eu podia beijá-la, como fiz uma vez com Rose, e descobrir, mas não me atreveria à isso. E pensar que um dia nos odiávamos! Deixei Mélody ir ao avistar minha coruja - para ser mais exato, a de meu irmão Drake - e peguei-a com o dedo.
- Boa menina. O que traz aqui?
Abri a carta que ela trazia e observei Mélody ir para casa. Li a carta. Meu coração apertou.  Descobri a resposta só de olhar nos olhos de minha coruja. Então, ela estava com Jeff? Meu peito doeu e pensei que talvez não devesse lutar com o destino. Rose e eu somos noivos de acordo com o mundo vampiro; nossos destinos foram selados quando ela nasceu, mas Jeff é um problema. Rose não sabe, mas ele irá me matar para tê-la - e ele sabe, porque é vidente. Eu a amo mais que tudo, mas não se pode mudar o destino. Decidido, pulei a janela com a coruja me seguindo e fui até a prisão onde minha amada se encontrava - para a minha morte.
Rosemary Livingstone

Jake me permitiu sair para caçar e agradeci à ele. Entrei na floresta e quase tive um ataque ao ver a razão da minha existência dentro dela. Corri para seus braços e levei seus lábios aos meus. Felix chorava.
- Rose, meu amor! Pensei que jamais te veria de novo. Ah, Rose!
Ouvi um barulho vindo das árvores. Mélody surgiu, graciosa como sempre, e nos abraçou. Nunca fiquei tão feliz ao vê-la. Outro barulho. Jake e Jeff aparecem. Felix fica na nossa frente em posição de ataque/defesa e rosna.
- Ah, muito bom, Jake! Traidor! Ou você está com eles ou comigo! - rosnou Jeff.
- Jake, saia daqui! - gritei. Ele correu e Jeff se aproximou.
- Eu te disse, Rose - ele rosnou outra vez - Você pertence à mim, não à esse idiota!
- Não, Jeff. Eu pertenço à ele.
- Não pode aprisioná-la só para ela te amar, garoto - disse Felix, me abraçando.
- Veremos o que eu posso fazer!
Jeff correu até nós e Mel rosnou, pulando em seu pescoço. Ele a deteve, correndo até Felix. Tudo foi muito rápido. Quando pensei em atacá-lo, ele pegou um punhal de prata e cravou-o no peito de meu noivo.
- Não! NÃÃO! Felix, NÃÃÃO!

Mel lançou Jeff do outro lado da floresta e eu corri para os braços de meu amado, caído no chão, se contorcendo de dor.
- Jeff, por quê? - chorei, beijando a mão de Felix - Querido, eu estou aqui. Por favor, não me deixe. Eu te amo.
- E-eu a-amo v-você. - Felix sorriu, afagando meu rosto com a mão - Sempre te amei e sempre amarei. Pena que não verei você virar uma mulher, minha vida. Jeff, agora você pode tê-la. Cuide bem dela. Eu te amo, Rosemary.
- Não me deixe, por favor.
Beijei-o nos lábios pela última vez antes de sua cabeça cair para o lado. E assim o amor da minha vida me deixou. Agarrei-me à seu corpo, chorando desesperadamente, com a coruja em meu ombro.
- NÃO! - gritei - Não me deixei! - solucei, largando seu corpo quando Mel se aproximou para me abraçar.

- Rose, eu sinto muito. - ela também chorava.
- Ele vai pagar por isso. - rosnei, furiosa. Levantei-me e fui até Jeff - Por que fez isso? Não suportou o fato de eu amar outra pessoa, não é? Tinha que matá-lo? Eu o amava, seu cretino! Eu o amava! - chorei feito uma criança e Mel me abraçou, beijando meus cabelos.
- Não o amava. - disse Jeff - Você estava assim pela ligação entre vocês.
- Jeff, cale a boca antes que eu bata em você! - Mel rosnou e ele saiu - Rose, acalme-se querida.
- Ele se foi, Mel! O que eu farei agora sem ele, Mel? Eu o amava!
Corri para o corpo morto da razão da minha existência ainda em prantos. Deitei em seu peito, chorando como nunca. Mel ficou perto, caso eu enlouquecesse. Procurei pelos lábios dele e os encontrei, aflita. Você jurou não me deixar! pensei, em prantos. Por favor, volte. Volte pra mim. Sem você eu morro, Felix!
- Mel, - chamei-a - me ajude. Quero que ele seja enterrado em seu castelo, onde é o lugar dele.

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